
Alguns jogos ao longo da história foram capazes de definir-se apenas pelo título. The “Legend of Zelda”, por exemplo, é uma lenda.
“Journey” é exatamente isso: uma jornada. Uma jornada espiritual, de auto-conhecimento, ou até mesmo uma aventura, se preferir.
Não, não se trata de um game, pelo menos não na definição atual de games. Aqui não há nenhum desafio aparente, inimigos a serem derrotados, quebra-cabeças a serem resolvidos ou coisas a serem coletadas, sempre visando a maior pontuação possível, ou pelo menos não é isso que o jogo te incentiva a fazer.
Em mais uma obra prima da desenvolvedora thatgamecompany, responsável por títulos como “flOw” e “Flower”, acompanhamos a jornada de uma figura encapuzada que acorda no meio do deserto e precisa seguir até a montanha mais distante no horizonte.
Simples assim.

Obviamente que a história do que aconteceu com um lugar ancestral vai sendo revelada aos poucos à nossa aventureira, e obviamente também que a mecânica de jogo não se resume a ficar andando por aí.
Seguir até amontanha é sem dúvida o objetivo principal, mas para chegar lá você encontrará obstáculos que precisará ultrapassar com a ajuda da sua mágica habilidade de planar garantida a você por um lenço no pescoço e de pequenas criaturas de pano, muitas as quais você deve salvar no caminho.
Mas tudo nesse jogo é diferente, não se engane. Os controles são apresentados apenas no começo do jogo, e nunca mais. Ou seja, você terá que criar uma espécie de simbose com a sua personagem para poder avançar. Terá que sentir-se dentro do jogo. E isso, aqui, é bem fácil.
Até mesmo o multiplayer é diferente de tudo que você já viu. Qualquer um pode entrar de supetão no seu jogo, enquanto você anda aparentemente sozinho por aí, e os dois juntos podem tentar alcançar a montanha no horizonte. Você só ficará sabendo a identidade dos seus companheiros de jornada ao final do jogo, pois nem isso lhe é revelado durante a jogatina.

Os poucos momentos de ação no game não poderiam ser em quantidade maior. O jogo é tão calmo em sua maior parte que quando as primeiras ameaças à integridade da figura encapuzada aparecem, ou nos primeiros momentos em que os reflexos rápidos são privilegiados, o impacto é muito maior do que num jogo onde a ação é incessante.
Alguns cenas parecerão obras de arte feitas a mão. Todos os angulos de câmera escolhidos pelo jogador devem ser apreciados como únicos. Cada paisagem, cada acorde da música, até mesmo os efeitos que sua personagem produz sobre outras criaturas devem ser apreciados.
Todos os elementos do jogo se unem em perfeita harmonia em uma experiência onde tudo, desde a música tocada, até os gráficos maravilhosamente lindos em contraste ao desenho simples de tudo, contribui para tornar Journey o jogo mais bem ralizado dessa geração. Sem nenhum exagero.

Tudo isso para ser apreciado em duas horas de jogo. Nem mais, e nem menos. O fator replay existe sim, quer dizer, desde que você esteja disposto a reviver essa experiência única e, quem sabe, no caminho coletar alguns dos poucos troféus que o título oferece.
Jogue Journey. Mas não jogue como se fosse um FPS que te incentiva a matar os oponentes infinitas vezes até o ano que vem, onde te apresentarão outro título identico mas vendido como se fosse novo. Jogue Journey, mas esteja preparado para sair transformado ao final.
Minha nota é: 10
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